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Entrevista com Dr Fabrício Veloso – Cirurgia Plástica e Anestesia – Parte 2

Por Shirley Mello,

Olá meninas,

Conforme prometi ontem,  essa é a segunda parte da entrevista com o Dr Fabrício Veloso. Para quem perdeu a primeira, é só clicar aqui.

TB- Avaliando os acidentes que ocorrem dentro da cirurgia plástica, qual o maior índice de problemas que ocasionam acidentes ou fatalidades na cirurgia plástica? O estado físico do paciente ou negligência médica?

Dr. FV- O maior problema com certeza é a imperícia médica. 97% dos processos que médicos recebem dentro de cirurgia plástica, são de médicos não especialistas.
Mais da metade dos médicos que se formam em medicina, não encontram vagas para especialização. Não podem ser considerados Clínico Geral, pois esta tbém é uma especialidade.Esses que não conseguem ser especialistas, acabam indo para especialidades como cirurgia plástica.
Em segundo lugar, operar em clínicas médicas.
Em terceiro lugar, não fazer a avaliação pré-anestésica e o paciente chega despreparado para o momento da cirurgia, e aí pode ter uma reação inesperada que surpreenda a todos.

 

TB- Quando vou fazer a consulta no site do conselho de medicina, tenho como saber que determinado médico foi reprovado nessa avaliação?

Dr. FV- Não, como essa ferramenta não possui valor jurídico, essa informação não pode vir a público. Infelizmente, ela apenas monitora a qualidade das escolas médicas. Porém o conselho de medicina está travando uma batalha para conseguir que essa prova tenha caráter jurídico e apenas médicos aprovados terem seus registros.

 

TB- A maioria dos pacientes que recorrem a cirurgia plástica, são mulheres?
Dr FV- 90%.

 

TB- O meu receio hoje, por causa da “neura” em ter um corpo perfeito, é entrar em um consultório de cirurgia plástica, e mesmo sem ter a necessidade de fato, de passar por uma cirurgia, o cirurgião, por ganância, me aponte um monte de defeitos a ser corrigidos. E aí?
Dr FV- Você está certa, isso acontece em larga escala. Isso depende exclusivamente da ética do profissional que está te atendendo e ela está relacionada com a sua formação acadêmica. Os preceitos são muito bem firmados na cabeça dos médicos que se formam nessas grandes instituições, diferente do objetivo de outras instituições. É importante você avaliar o currículo do médico e pensar previamente nas perguntas que vai fazer a ele. As pessoas deveriam ir preparadas para conversar com o médico.
É expresamente proibido aqui na clínica, indicar uma cirurgia que não seja necessária. Por outro lado, o que eu não consigo enxergar como um problema pra você, às vezes, pra você aquilo é um problema. E mesmo se não for algo relevante para a saúde do paciente, muitas vezes, o impacto psicológico que isso causa numa pessoa, é muito maior do que uma doença. Ex: às vezes chega aqui uma paciente que deseja colocar uma prótese de mama porque não consegue se relacionar com alguém, não consegue tirar a roupa a não ser de luz apagada, não usa biquíni…Nesse caso, a gente entra pra fazer com que a pessoa se sinta bem com ela, se sinta valorizada, confiante e isso reflete em toda a vida dela.

TB- Vamos supor que eu chegasse aqui no consultório, o médico dissesse que meu caso não é de cirurgia, mas de outros procedimentos estéticos e eu insistisse na cirurgia, por ser um caminho mais rápido pra chegar ao resultado que desejo. O médico faria a minha vontade ou é uma norma da clínica não fazer?
Dr. FV- O médico irá avaliar se há alguma contra-indicação para aquele procedimento. Ele vai dar uma outra alternativa, mas se você insistir na cirurgia, o médico irá avaliar se existe alguma contra-indicação para essa cirurgia. Ele pode contra-indicar por dismotismo corporal, ou seja, o paciente estar enxergando algo que não corresponde à realidade. Nesse caso, o médico fala que não vai operar e pronto, mas com certeza, esse paciente vai encontrar alguém que o opere.
Quando não há contra-indicação para o procedimento, a palavra final é do paciente.

 

TB- Ultimamente tem aumentado muito o número de pessoas que recorrem a cirurgia plástica. Isso se deve a que: uma maior divulgação na mídia, as pessoas estão perdendo o medo, é a valorização excessiva do corpo e da beleza ou a necessidade? Quais os fatores principais que contribuem para isso?
Dr. FV- Segurança dos procedimentos médicos que vem evoluindo. Por exemplo, a anestesia, que dá uma maior segurança para o paciente e a evolução da tecnologia, da ciência, da medicina.
Outra questão envolvida: valores culturais da sociedade, impostos pela mídia, que caminha para valorizar cada vez mais a cultura ao corpo. A cirurgia plástica é maneira mais rápida de modelar essa situação, do que academias ou procedimentos estéticos.
Democratização da cirurgia plástica. Há alguns anos atrás, uma cirurgia dessas, custava o valor de um carro, sendo muito pouco acessível para a grande parte da população. Atualmente há parcelamentos, financiamentos, e facilidades maiores para que a Classe C e B possam ter acesso à essa opção.
Crescimento econômico do país, que permite às pessoas, o acesso a esse serviço, que é a proposta da clínica: democratizar o acesso à cirurgia plástica, facilitar o pagamento para as pessoas e quebrar esse paradigma de que a cirurgia plástica deva ser uma coisa cara. O preço deve ser justo para o paciente.

Veja também:  Pêlo encravado - o terror das mulheres

 

TB- O que é mais vantajoso para a clínica financeiramente? Atender a classe A, ou aumentar a quantidade de cirurgias para o público B e C?
Dr. FV- A maioria dos médicos aqui da Dream, inlusive eu, veio de universidades públicas, então sempre fomos mais ligados a pacientes de um nível sócio-econômico “não A”. Preferimos estabelecer essa estratégia pra nossa clínica. Atender uma população que está crescento e carente desse nível de serviço. Temos de 300 a 400 cirurgias plásticas por mês, isso faz com que tenhamos melhor condições em negociar com todos os fornecedores.
Sendo assim, o paciente da nossa clínica tem o mesmo serviço, a mesma qualidade, o mesmo produto (prótese) de um cliente da classe A. O que diferencia é a exclusividade, porém a cirurgia é exatamente a mesma.

 

TB- Pode acontecer do paciente falar que quer a cirurgia e o médico falar não vou operar e pronto?
Dr. FV- Sim, se você chegar aqui e disser que quer operar o nariz, vou dizer que não porque não há necessidade. No entanto o médico vai avaliar o que está desproporcional que faz você achar que seja o nariz. Essa é a função do médico: entender o que está por trás da queixa do paciente.
Outra coisa que infelizmente acontece, é o paciente que quer operar pra salvar o casamento. Isso é muito frequente: a paciente acha que se operar, colocar uma prótese ou fazer uma lipo, o marido vai procurá-la mais, vai acabar as brigas em casa, não vai ter separação. Quando o médico detecta isso, obviamente, bloqueia essa cirurgia e indica o paciente pra fazer um acompanhamento psicológico, pois ele vai operar e o problema vai continuar existindo.

TB- Avaliando os acidentes que ocorrem dentro da cirurgia plástica, qual o maior índice de problemas que ocasionam acidentes ou fatalidades na cirurgia plástica? O estado físico do paciente ou negligência médica?
Dr. FV- O maior problema com certeza é a imperícia médica. 97% dos processos que médicos recebem dentro de cirurgia plástica, são de médicos não especialistas.
Mais da metade dos médicos que se formam em medicina, não encontram vagas para especialização. Não podem ser considerados Clínico Geral, pois esta tbém é uma especialidade.Esses que não conseguem ser especialistas, acabam indo para especialidades como cirurgia plástica.
Em segundo lugar, operar em clínicas médicas.
Em terceiro lugar, não fazer a avaliação pré-anestésica e o paciente chega despreparado para o momento da cirurgia, e aí pode ter uma reação inesperada que surpreenda a todos.

 

TB- Quando vou fazer a consulta no site do conselho de medicina, tenho como saber que determinado médico foi reprovado nessa avaliação?
Dr. FV- Não, como essa ferramenta não possui valor jurídico, essa informação não pode vir a público. Infelizmente, ela apenas monitora a qualidade das escolas médicas. Porém o conselho de medicina está travando uma batalha para conseguir que essa prova tenha caráter jurídico e apenas médicos aprovados terem seus registros.

 

TB- A maioria dos pacientes que recorrem a cirurgia plástica, são mulheres?
Dr FV- 90%.

 

TB- O meu receio hoje, por causa da “neura” em ter um corpo perfeito, é entrar em um consultório de cirurgia plástica, e mesmo sem ter a necessidade de fato, de passar por uma cirurgia, o cirurgião, por ganância, me aponte um monte de defeitos a ser corrigidos. E aí?
Dr FV- Você está certa, isso acontece em larga escala. Isso depende exclusivamente da ética do profissional que está te atendendo e ela está relacionada com a sua formação acadêmica. Os preceitos são muito bem firmados na cabeça dos médicos que se formam nessas grandes instituições, diferente do objetivo de outras instituições. É importante você avaliar o currículo do médico e pensar previamente nas perguntas que vai fazer a ele. As pessoas deveriam ir preparadas para conversar com o médico.
É expresamente proibido aqui na clínica, indicar uma cirurgia que não seja necessária. Por outro lado, o que eu não consigo enxergar como um problema pra você, às vezes, pra você aquilo é um problema. E mesmo se não for algo relevante para a saúde do paciente, muitas vezes, o impacto

psicológico que isso causa numa pessoa, é muito maior do que uma doença. Ex: às vezes chega aqui uma paciente que deseja colocar uma prótese de mama porque não consegue se relacionar com alguém, não consegue tirar a roupa a não ser de luz apagada, não usa biquíni…Nesse caso, a gente entra pra fazer com que a pessoa se sinta bem com ela, se sinta valorizada, confiante e isso reflete em toda a vida dela.

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TB- Vamos supor que eu chegasse aqui no consultório, o médico dissesse que meu caso não é de cirurgia, mas de outros procedimentos estéticos e eu insistisse na cirurgia, por ser um caminho mais rápido pra chegar ao resultado que desejo. O médico faria a minha vontade ou é uma norma da clínica não fazer?
Dr. FV- O médico irá avaliar se há alguma contra-indicação para aquele procedimento. Ele vai dar uma outra alternativa, mas se você insistir na cirurgia, o médico irá avaliar se existe alguma contra-indicação para essa cirurgia. Ele pode contra-indicar por dismotismo corporal, ou seja, o paciente estar enxergando algo que não corresponde à realidade. Nesse caso, o médico fala que não vai operar e pronto, mas com certeza, esse paciente vai encontrar alguém que o opere.
Quando não há contra-indicação para o procedimento, a palavra final é do paciente.

 

TB- Ultimamente tem aumentado muito o número de pessoas que recorrem a cirurgia plástica. Isso se deve a que: uma maior divulgação na mídia, as pessoas estão perdendo o medo, é a valorização excessiva do corpo e da beleza ou a necessidade? Quais os fatores principais que contribuem para isso?
Dr. FV- Segurança dos procedimentos médicos que vem evoluindo. Por exemplo, a anestesia, que dá uma maior segurança para o paciente e a evolução da tecnologia, da ciência, da medicina.
Outra questão envolvida: valores culturais da sociedade, impostos pela mídia, que caminha para valorizar cada vez mais a cultura ao corpo. A cirurgia plástica é maneira mais rápida de modelar essa situação, do que academias ou procedimentos estéticos.
Democratização da cirurgia plástica. Há alguns anos atrás, uma cirurgia dessas, custava o valor de um carro, sendo muito pouco acessível para a grande parte da população. Atualmente há parcelamentos, financiamentos, e facilidades maiores para que a Classe C e B possam ter acesso à essa opção.
Crescimento econômico do país, que permite às pessoas, o acesso a esse serviço, que é a proposta da clínica: democratizar o acesso à cirurgia plástica, facilitar o pagamento para as pessoas e quebrar esse paradigma de que a cirurgia plástica deva ser uma coisa cara. O preço deve ser justo para o paciente.

 

TB- O que é mais vantajoso para a clínica financeiramente? Atender a classe A, ou aumentar a quantidade de cirurgias para o público B e C?
Dr. FV- A maioria dos médicos aqui da Dream, inlusive eu, veio de universidades públicas, então sempre fomos mais ligados a pacientes de um nível sócio-econômico “não A”. Preferimos estabelecer essa estratégia pra nossa clínica. Atender uma população que está crescento e carente desse nível de serviço. Temos de 300 a 400 cirurgias plásticas por mês, isso faz com que tenhamos melhor condições em negociar com todos os fornecedores.
Sendo assim, o paciente da nossa clínica tem o mesmo serviço, a mesma qualidade, o mesmo produto (prótese) de um cliente da classe A. O que diferencia é a exclusividade, porém a cirurgia é exatamente a mesma.

 

TB- Pode acontecer do paciente falar que quer a cirurgia e o médico falar não vou operar e pronto?
Dr. FV- Sim, se você chegar aqui e disser que quer operar o nariz, vou dizer que não porque não há necessidade. No entanto o médico vai avaliar o que está desproporcional que faz você achar que seja o nariz. Essa é a função do médico: entender o que está por trás da queixa do paciente.
Outra coisa que infelizmente acontece, é o paciente que quer operar pra salvar o casamento. Isso é muito frequente: a paciente acha que se operar, colocar uma prótese ou fazer uma lipo, o marido vai procurá-la mais, vai acabar as brigas em casa, não vai ter separação. Quando o médico detecta isso, obviamente, bloqueia essa cirurgia e indica o paciente pra fazer um acompanhamento psicológico, pois ele vai operar e o problema vai continuar existindo.

É meninas, realmente o assunto é interessantíssimo. Não percam, amanhã tem muito mais e com as perguntas que os nossos seguidores do Twitter fizeram no momento da entrevista. Vocês não perdem por esperar!

Super Beijos,
Shirley

Paulista, 42 anos, formada em Tecnologia, otimista. Adoro falar sobre moda, beleza e, mais recentemente, sobre maternidade. Aqui escrevo sobre tudo que gosto, espero que gostem também!

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