Maternidade

Mãe aos 40 anos: e agora?

Com a proximidade do dia das mães, me senti inspirada a falar um pouco aqui sobre o assunto, que pra mim ainda é novidade, mas como muita gente me pergunta, resolvi contar!

Nunca tive o sonho de ser mãe! Apesar da maioria das mulheres acharem isso quase como um processo obrigatório, uma espécie de prova que a gente tem que passar para provar nossa feminilidade, como um “diploma”, eu optei por não ter filhos e claro que sempre ouvi comentários do tipo: ah, mas uma hora você muda de ideia! Ah, mas você ainda é nova, quando for a hora certa você vai querer. Ou ainda: ah, quando seu casamento tiver esfriado um pouco você vai querer um filho pra melhorar as coisas.

A história, pra você entender…

Me casei aos 20 anos. Em resumo, sou do interior de SP e vim morar na capital com 18 anos. Meses depois de vir pra cá, comecei a trabalhar numa empresa onde conheci meu “futuro marido”. Namoramos, noivamos e casamos, tudo como mandava o figurino (de tempos atrás), e desde o começo do namoro quando surgia o assunto “filhos” nossa opinião era unânime: não vamos ter. Ambos somos workaholics e não teríamos tempo pra dar atenção à criança.

Sempre que surgia o assunto ou que as pessoas nos perguntavam o porquê de um relacionamento de 20 anos e sem filhos, as respostas eram as mais diversas mas todas com o mesmo propósito: explicar o que pra nós era bem claro. Não vão mesmo ter filhos? Não!

Era simples e estava resolvido, sempre quando questionada sobre isso, eu era taxativa. Como disse acima, pra mim nunca foi um sonho ser mãe. Me lembro que na minha infância eu nemtinha o hábito de brincar de boneca. Gostava muito mais de ser professora ou trabalhar em banco contando dinheiro. 😀

Já mais adulta acho que passei a ter uma ideia um pouco distorcida da maternidade, talvez por perceber mulheres à minha volta que eram mães e deixavam de ter sua personalidade, perdiam sua identidade. Parecia que uma vez mãe, quem a gente é (ou era) ficaria pra trás, esquecida em algum lugar do passado. E enquanto eu me mantive nesse relacionamento de 20 anos, isso só se confirmava, já que meu parceiro também era bastante taxativo em dizer que não tinha anseios de se tornar pai.

Das voltas que a vida dá…

Eis que um belo dia, após uma mudança de casa, eis que o universo conspirou para que se iniciasse uma mudança de vida. Em muito pouco tempo, minha vida, que era tão estável e meu casamento “perfeito”, viraram de pernas pro ar!

Deu-se início a um processo de separação que durou cerca de pouco mais de 15 dias e após algumas discussões e conversas, que até então nunca tinham sido presentes no meu relacionamento, trouxeram a tona um sentimento mútuo: a admiração e o respeito haviam sofrido um baque e diante disso nada mais fazia sentido, a não ser que cada um seguisse o seu caminho.

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Contei tudo isso pra você entender o que vem a seguir…

Após o rompimento deste relacionamento, é lógico que no início me senti meio perdida, a gente depois de tanto tempo junto com outra pessoa parece que não sabe nem o que a gente gosta e o que a gente só concordava por conveniência. O fato é que me vi livre pra fazer o que quisesse quando bem entendesse e foi assim que aconteceu.

Me matriculei numa escola de dança, algo que eu sempre quis muito ter feito durante a vida, mas por motivos diversos eu ficava adiando. Comecei a fazer dança do ventre e cigana. Além de eu ter adorado conhecer esse novo mundo, na época foi um processo muito importante pra mim, de descoberta da minha feminilidade e também de como a dança e as artes nos distraem e alegram.

Naquele momento isso foi essencial pra ocupar minha mente e evitar que eu focasse no que tinha acontecido. Conheci muita gente nova, fiz amigas que hoje são como irmãs de alma. <3

Eu também sempre gostei muito de sair, sou bastante “rueira” e aproveitei o momento pra aproveitar: sair à noite, conhecer barzinhos de rock que eu sempre quis e nunca tinha ido e, nessas andanças, comecei a me relacionar um amigo de longa data, que havia trabalhado comigo por anos e tínhamos muitas afinidades.

Entre uma saída e outra, depois de 3 meses juntos, eis que meu ciclo teve um atraso e eu, que sou bem “desencanada”, pensei que tivesse a ver com a idade (40 anos – talvez uma possível menopausa precoce) ou mesmo ainda ser algo relacionado ao estresse da separação.

Deu positivo, e agora?

Fui ao médico, fiz o exame Beta HCG e o resultado: positivo! Como assim? Eu que neguei que seria mãe a minha vida toda, agora estava grávida? De um relacionamento nada sério que durava há apenas 3 meses? Pois é!

A vida. Essa mesma que me pregou uma peça com essa história de separação, de um relacionamento que eu tinha certeza que duraria “até que a morte nos separasse”, agora me vinha com essa novidade: eu viria a ser mãe!

Passados os 15 minutos de surpresa, quando dei a notícia ao meu então namorado ele explodiu de alegria! Para ele, que também vinha de um relacionamento longo e falido, ser pai sempre foi um sonho do qual ele já estava meio conformado em não ter realizado ainda.

E tudo começou a mudar!

Essa novidade vinha para mudar ainda mais as nossas vidas e nós, que nem havíamos chegado a conversar sobre essa possibilidade, resolvemos acolher juntos essa gravidez e o bebê que viria para encher nossas vidas de amor e alegria.

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Tive uma gestação super tranquila. Tanto que quando fiz o exame eu já estava de 12 semanas e sequer havia sentido um enjôo. E assim foi durante todo o período até os 9 meses. Nada de dores e nem desconforto, a não ser no final, lá pelo oitavo mês onde a gente já está parecendo que vai explodir e tudo começa a incomodar: o peso da barriga, a falta de posição para dormir e isso faz a gente querer que nasça logo!

Optei pelo parto normal humanizado (que de humanizado só tem o nome, mas isso é assunto para outro post) queria esperar o momento certo, quando o bebê quisesse nascer e então esperei as contrações pra me encaminhar ao hospital onde o grande momento aconteceria.

Apesar de passar mais de 9 horas em trabalho de parto, a Lívia nasceu de cesárea, pois meu colo não abaixou o suficiente para que o parto normal acontecesse. Paciência! Foi como tinha que ser, ela nasceu grande e saudável, ficamos no hospital 2 dias e depois fomos pra casa.

A hora da verdade…

Aquele misto de ansiedade e medo de como seria cuidar de um pacotinho de gente, tão pequeno e frágil e que dependeria totalmente de mim, somado à alegria e realização de ver que ela era perfeita e toda delicada. Jamais sonhei com isso! Foi muito louco. 🙂

A conclusão é que…

A maternidade aos 40 é um processo tão ou mais incerto do que em outras idades. Acredito que vai muito do organismo de cada mulher, no meu caso sempre pratiquei atividade física, ao longo da vida, procuro me alimentar de forma saudável (sem neuras), tomo minha cervejinha também. A minha experiência foi extremamente positiva, hoje eu sou a que recomenda que se tenha filhos, pois acho que é uma experiência muito enriquecedora de altruísmo e abnegação. Que mudança, não?

É claro que a vida com uma criança é cheia de imprevistos, muitas vezes o que a gente planeja fazer no dia, vai tudo por água abaixo por causa de uma simples soneca fora de hora, mas ao mesmo tempo é muito gostoso não ter uma rotina certinha, pelo menos pra mim. Sendo bem clichê, o sorriso e o carinho que a gente recebe deles são a melhor recompensa! 🙂

Paulista, 42 anos, formada em Tecnologia, otimista. Adoro falar sobre moda, beleza e, mais recentemente, sobre maternidade. Aqui escrevo sobre tudo que gosto, espero que gostem também!

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